Angola declarou sua saída da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) em decorrência de restrições impostas à produção de petróleo, conforme anunciado pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Pedro Azevedo.

A decisão foi comunicada durante a décima reunião ordinária do Conselho de Ministros, presidida pelo Presidente angolano, João Lourenço, e reflete uma escolha do governo angolano. Diamantino Pedro Azevedo afirmou que a decisão foi tomada após cuidadosa consideração, pois o país não via benefícios em manter sua afiliação à organização.

“Sentimos que neste momento Angola não ganha nada mantendo-se na organização e, em defesa dos seus interesses, decidiu sair”, afirmou Diamantino Pedro Azevedo em declarações aos jornalistas no Palácio Presidencial, em Luanda.

Ele explicou que a decisão foi resultado de deliberações do Conselho de Ministros e enfatizou que não fazia sentido permanecer em uma organização cujos resultados não estivessem alinhados com os interesses de Angola.

“Esta não foi uma decisão tomada assim de ânimo leve, nós nos últimos seis anos temos sido bastante ativos na organização, e assim chegou o momento porque o nosso papel na organização não era relevante”, justificou.

Diamantino Pedro Azevedo ressaltou que Angola costuma contribuir ativamente para organizações internacionais nas quais está envolvida e espera ver resultados que beneficiem seus interesses. Quando isso não ocorre, a presença torna-se redundante e desnecessária.

Ele destacou que Angola desempenhou um papel ativo e substancial na OPEP, propondo iniciativas para ampliar o escopo da organização. No entanto, agora é o momento de o país concentrar-se em suas estratégias, objetivos e metas para o setor de hidrocarbonetos e permitir que a OPEP continue sua missão de estabilização dos preços no mercado internacional.

Esta decisão surge após Angola rejeitar a cota atribuída pela OPEP no início de dezembro, que previa uma redução na produção. O país optou por manter sua meta de produção de 1.180 mil barris por dia para 2024, apesar da decisão da OPEP+ de estabelecer uma meta de 1.110 mil barris por dia. A discordância em relação às quotas de produção levou Angola a tomar essa decisão de deixar a organização.

A saída da OPEP marca uma mudança significativa na estratégia energética de Angola, que agora buscará definir sua própria política de produção de petróleo alinhada com seus interesses e capacidades. Esta decisão provavelmente terá implicações tanto para Angola quanto para a OPEP, à medida que o país procura otimizar sua produção e receita de petróleo de acordo com suas necessidades e objetivos econômicos.

Daniel dedica-se a explorar e analisar os complexos contextos sociopolíticos de Portugal e da Europa.