A 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP28, chegou ao fim, e as principais conclusões deixam muito a desejar para os ambientalistas e para todos aqueles que se preocupam com as alterações climáticas. Embora o presidente da COP28, Sultan Al Jaber, tenha classificado o acordo como “histórico”, a falta de ações concretas para eliminar os combustíveis fósseis deixa muito a desejar.

A principal questão que permanece em aberto é a eliminação dos combustíveis fósseis, que não foi decretada, apesar da necessidade urgente de afastar o mundo dessas fontes poluentes. Em vez disso, o acordo faz menção a uma “transição energética”, o que não agradou aos ambientalistas, que esperavam uma abordagem mais enérgica para eliminar o uso de carvão, petróleo e gás.

O acordo também propõe triplicar a capacidade de energia renovável em todo o mundo até 2030. Embora essa seja uma medida positiva, não é suficiente para lidar com a gravidade da crise climática. Além disso, os países anunciaram um fundo de US$ 420 milhões para apoiar nações afetadas pelo aquecimento global, mas esse valor é considerado insuficiente dada a magnitude do problema.

Outra lacuna preocupante é a falta de compromissos concretos de financiamento para adaptação e mitigação das alterações climáticas. Embora a conferência tenha “reiterado” a necessidade de direcionar mais financiamento para os países afetados pelas mudanças climáticas, não foram estabelecidos compromissos específicos nesse sentido.

O acordo da COP28 reconhece a importância de reduzir o uso de combustíveis fósseis, mas não oferece um plano claro para alcançar esse objetivo. Isso é particularmente frustrante, considerando que a ONU já estabeleceu a meta de eliminar completamente as emissões de gases de efeito estufa até 2050.

A falta de ação concreta para eliminar os combustíveis fósseis é motivo de preocupação para muitos especialistas em clima. Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, observa que a menção à substituição dos combustíveis fósseis é inédita, mas não condiz com a realidade de países que continuam a investir em fontes sujas de energia. A questão agora é se os países irão realmente cumprir o acordo da COP28 ou se continuarão a explorar petróleo, carvão e gás, ignorando as metas climáticas.

As negociações durante a COP28 foram marcadas por atrasos e debates acalorados, especialmente devido à oposição dos países produtores de petróleo, que se opuseram a diretrizes mais rigorosas para o fim do uso de energia suja. O texto final do acordo não atendeu às expectativas dos especialistas que pedem o fim iminente do uso de carvão, petróleo e gás.

Embora o acordo mencione a necessidade de uma transição para sistemas de energia com emissões zero ou baixas, por meio de tecnologias renováveis, nucleares e de captura e armazenamento de carbono, ele não estabelece metas específicas. Cada país será responsável por elaborar seus próprios compromissos nacionais de redução de emissões.

Durante a conferência, mais de 100 países tentaram chegar a um consenso sobre a eliminação gradual do uso de petróleo, gás e carvão, com o apoio de grandes produtores de petróleo, como os Estados Unidos, Canadá e Noruega, juntamente com a União Europeia. No entanto, eles encontraram forte oposição da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, que argumentou que é possível reduzir as emissões sem eliminar combustíveis específicos.

A COP28 também foi marcada pela presença recorde de representantes das indústrias de carvão, petróleo e gás, que pressionaram contra medidas para eliminar os combustíveis fósseis. O secretário da OPEP, Haitham Al Ghais, foi um dos porta-vozes do grupo contra a eliminação dos combustíveis fósseis.

Embora o presidente da COP28 tenha elogiado o acordo como “histórico”, o verdadeiro sucesso dependerá da implementação efetiva das medidas. Como ele afirmou, “somos o que fazemos, não o que dizemos”. Agora, os países devem tomar as medidas necessárias para transformar esse acordo em ações concretas.

Em resumo, a COP28 terminou sem um compromisso claro para eliminar os combustíveis fósseis, deixando ambientalistas e especialistas em clima preocupados com a falta de ação concreta para combater as alterações climáticas. O acordo é considerado “forte em sinais, mas fraco em substância”, e muito ainda precisa ser feito para enfrentar a crise climática de forma eficaz.

Daniel dedica-se a explorar e analisar os complexos contextos sociopolíticos de Portugal e da Europa.