Os líderes dos países membros da União Europeia não conseguiram alcançar um acordo para criar um novo fundo de 50 mil milhões de euros destinado ao apoio financeiro à Ucrânia até 2027. Esta situação representa um revés para o Governo de Kiev, que já enfrentou a recusa do Congresso dos Estados Unidos em aprovar uma proposta de financiamento de 60 mil milhões de dólares da Casa Branca.

Após várias horas de negociações no Conselho Europeu, que se estenderam até à madrugada de sexta-feira, em Bruxelas, não foi possível obter consenso entre todos os Estados-membros para incluir este novo instrumento financeiro para a Ucrânia no quadro do orçamento comunitário. Este fundo consistiria em 17 mil milhões de euros em subvenções e 33 mil milhões de euros em empréstimos de longo prazo.

Charles Michel, o presidente do Conselho Europeu, afirmou que 26 líderes concordaram com todas as componentes do último rascunho de compromisso, mas um líder não pôde concordar, referindo-se à Hungria. Michel anunciou que irá convocar uma cimeira extraordinária no início de 2024 para tentar resolver os problemas que surgiram com a proposta de revisão do quadro financeiro plurianual da UE.

O impasse ocorreu quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, se opôs a novos pagamentos para o orçamento comunitário e recusou continuar as negociações. A Hungria bloqueou a aprovação de um pacote de assistência financeira à Ucrânia de 50 mil milhões de euros. Orbán defendeu que as negociações deveriam ser devidamente preparadas antes de prosseguirem.

Em resposta, Orbán vetou a revisão do orçamento de longo prazo da UE, incluindo o apoio financeiro à Ucrânia, o que impediu um acordo no Conselho Europeu. Ele também sugeriu que a assistência financeira deveria ser concedida após as eleições europeias do próximo verão.

O fundo em questão destina-se a apoiar a reconstrução e modernização da Ucrânia, com um montante total de 50 mil milhões de euros.

Embora a Suécia ainda precise consultar o seu Parlamento, dos 27 países membros da UE, apenas um se manifestou contra a aprovação do pacote de ajuda e das propostas orçamentais mais amplas. Charles Michel expressou a esperança de que um acordo possa ser alcançado no início de 2024.

A oposição de Orbán à assistência financeira ocorreu logo após os líderes da UE terem decidido iniciar conversações sobre a adesão da Ucrânia e Moldávia e conceder o estatuto de candidato à Geórgia. Os líderes da UE, excluindo Orbán, enfatizaram a necessidade de unidade e de enviar um forte sinal de apoio à Ucrânia, especialmente após ameaças à ajuda financeira por parte do Congresso dos EUA.

Em entrevista à rádio estatal húngara, Viktor Orbán explicou que condicionou o apoio europeu à Ucrânia à disponibilização de verbas da UE para a Hungria. Ele declarou que a Hungria aproveitaria a oportunidade para exigir claramente o que lhe é devido após a “libertação dos milhares de milhões de euros” para Budapeste. Orbán sempre defendeu que a mudança no orçamento da UE deveria beneficiar o seu país integralmente.

Daniel dedica-se a explorar e analisar os complexos contextos sociopolíticos de Portugal e da Europa.