Angola planeia abrir as portas ao turismo na região do Okavango em 2024, visando promover o turismo e a conservação ambiental. Este esforço faz parte de um projeto transfronteiriço, KAZA, que envolve Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué. Angola possui a terceira maior parcela deste território, abrangendo quatro municípios e uma área total de 90 mil metros quadrados.

Gime Sebastião, responsável pela Área Transfronteiriça de Conservação do Kavango Zambeze, reconhece que ainda existem lacunas a serem preenchidas, como a ratificação de Angola do tratado que estabeleceu o KAZA, essencial para acessar fundos internacionais e atrair investimentos. Entre os desafios enfrentados, estão a melhoria dos acessos, a normalização das fronteiras e a desminagem de áreas ainda afetadas pelas reminiscências de conflitos passados.

O governo angolano está focado em desenvolver o “turismo de natureza”, com planos para criar parques de campismo e atrair operadores turísticos, especialmente da Namíbia. A região é rica em vida selvagem, com a presença de elefantes, búfalos, girafas e palancas, e oferece atividades como a pesca desportiva. Espera-se que, em 2024, cerca de 10 a 15 mil turistas visitem a região. A iniciativa visa também promover o turismo comunitário, gerando empregos locais e valorizando os conhecimentos dos grupos étnicos locais, como os Nganguela e os Khoisan.

Embora existam conversas sobre exploração de petróleo na área, Gime Sebastião enfatiza que o foco atual é o turismo, sem projetos de exploração autorizados. Recentemente, o Presidente angolano, João Lourenço, aprovou fundos para a construção de um novo aeroporto internacional em Mavinga, ressaltando a importância estratégica da região do Delta do Okavango para o desenvolvimento turístico do país​​.

Daniel dedica-se a explorar e analisar os complexos contextos sociopolíticos de Portugal e da Europa.