Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia, denunciou o comportamento da Rússia em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, acusando-a de «genocídio» e instando o mundo a unir-se contra a «ameaça» de Vladimir Putin.

Falando em inglês, Zelensky reivindicou uma resposta global firme para assegurar que as agressões russas não voltem a acontecer. Recordou a todos que já em fevereiro de 2022 a Rússia tinha invadido o seu país. Sublinhou que, embora muitos anos se tenham focado no desarmamento nuclear, esta não pode ser a única estratégia de defesa. A sua intervenção, veementemente aplaudida, foi um dos momentos mais aguardados da Assembleia.

No seu discurso, Zelensky abordou a estratégia de paz ucraniana, que conta com o apoio de 140 nações. Ressaltou que, pela primeira vez, há uma oportunidade real de terminar a agressão em termos favoráveis para a nação atacada. A questão deverá ser debatida na próxima reunião do Conselho de Segurança, onde se espera a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

Zelensky também denunciou as práticas da Rússia de raptar crianças ucranianas, transformando-as em «ferramentas de ódio» contra o seu próprio país. Defendeu, ainda, que se deve ter cautela com Putin, aludindo a um recente incidente envolvendo Yevgeny Prigozhin, líder do Grupo Wagner.

Joe Biden, Presidente dos EUA, ecoou as preocupações de Zelensky, questionando a segurança das nações se permitirem que a Rússia continue impune. Lula da Silva, Presidente do Brasil, destacou a necessidade de um diálogo real e comprometido, lamentando os gastos em armamentos em vez de desenvolvimento.

Por sua vez, António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, enfatizou o impacto global da guerra na Ucrânia, apelando ao respeito pelas leis internacionais e à colaboração em prol de um futuro mais seguro e harmonioso. Guterres alertou, ainda, para a necessidade urgente de reforma das instituições globais, refletindo a evolução do mundo e os desafios atuais.

A Assembleia continua com discursos de outros líderes mundiais, mas a intervenção de Zelensky certamente marcará a agenda dos próximos dias.