O teatro das Nações Unidas, sediado em Nova York, habitualmente se ilumina a cada setembro com a presença de líderes mundiais. No entanto, este ano, no 78º encontro, a sala parece ecoar mais com os silêncios do que com discursos. Um silêncio que diz muito, e que revela o desinteresse por uma reforma ambicionada pelo nosso antigo líder, Lula.

Este encontro, que tem o poder de trazer líderes de todas as partes do mundo para discutir ideias e metas globais, vê quatro dos cinco chefes do Conselho de Segurança da ONU a faltar à chamada. Dos titãs globais, apenas Joe Biden faz questão de marcar presença. A ausência dos demais é, de certa forma, «ensurdecedora».

O porquê desta «deserção» é variado: problemas de agenda para Macron, política interna para Sunak, um mandado de captura para Putin e, para Xi Jinping, a decisão de enviar, como o nosso Lula diria, o «sub do sub». Todas estas ausências levantam a questão: está a reforma do Conselho de Segurança da ONU a ser levada a sério?

O Brasil, ao lado de potências como Alemanha, Japão e Índia, pertence ao G4, que busca um lugar permanente no Conselho. A ideia de expansão encontrou eco nas palavras de Biden na última assembleia. No entanto, a verdadeira implementação desta ideia tem sido frustrada por mais de três décadas de discussões que, até agora, provaram ser estéreis.

A tensão geopolítica atual só acentua este impasse. Quando consideramos que a Rússia, uma das maiores protagonistas em conflitos atuais, detém poder de veto no Conselho, é fácil perceber a paralisia que pode ser causada.

O cenário sugere uma ONU em crise de representatividade e eficácia. A guerra na Ucrânia é um lembrete sombrio dessa paralisia. E embora se espere que líderes como Zelensky e Lavrov se encontrem neste palco, pergunto-me: será que vão realmente dialogar?

A verdade é que o Conselho de Segurança da ONU precisa de reforma, e essa reforma precisa de ser debatida agora. A ausência dos líderes mundiais neste encontro crucial não é apenas uma falta de cortesia diplomática. É um reflexo de um mundo em mutação, onde a necessidade de uma ONU mais representativa e eficaz nunca foi tão premente. E a pergunta que fica é: se não agora, quando?

Daniel dedica-se a explorar e analisar os complexos contextos sociopolíticos de Portugal e da Europa.